Estilos de Bonsai – Parte III

1 03 2012

Hoje apresentarei outros seis estilos para se trabalhar árvores em miniatura:

Raízes Expostas

NEAGARI: Raízes Expostas. Neste estilo, parte das raízes aparece, elevando a base do tronco acima do solo. Vale ressaltar que a maioria dos Bonsai tem algumas raízes aparecendo sutilmente acima do solo, e esta característica é importante para conferir à árvore uma aparência de idade avançada. No estilo Neagari, no entanto, as raízes são bastante visíveis, projetando-se muito acima do solo. São plantas que parecem ter sido parcialmente arrancadas por um vendaval, ou que tenham crescido em solo sujeito à erosão, como nas margens dos rios. Essa impressão geralmente é reforçada por alguma inclinação no tronco (combinação do estilo com Shakan, Fukinagashi e Han-kengai). Vasos de perfil baixo são a melhor opção, já que valorizam a presença das raízes.

Ptecolobium enraizado na rocha

 

SEKIJOJU: Estilo raízes sobre rocha. Esta será uma árvore que cresceu agarrada a uma pedra, e suas raízes desceram por esta para encontrar o solo. O tronco deve ter movimento, já que um tronco vertical definitivamente não combina com uma planta que tenha crescido em condições tão hostis. Na natureza, esse tipo de situação é mais comum em regiões montanhosas, onde rochas expostas são abundantes; portanto, é interessante que a terra no vaso forme uma pequena colina ao redor da pedra. Recomenda-se para esse estilo o uso de vasos mais profundos, já que a rocha deve ficar parcialmente enterrada para que não caia do vaso. Obs.: alguns bonsaístas optam por prender a pedra ao fundo do vaso com o uso de massa epóxi. Nesse caso, é necessário ter cuidado para não se obstruir os furos de drenagem.

 

Árvores na rocha

 

ISHITSUKI: Árvore na rocha. Diferentemente do Sekijoju, neste estilo a árvore está plantada sobre a rocha, sem que suas raízes cheguem até a terra no vaso. Via de regra, utiliza-se um buraco feito na própria rocha, onde se coloca o mínimo de terra que a planta necessita para sobrreviver. Trata-se de um estilo bastante difícil de se obter e manter, pois o ressecamento do substrato ocorre muito rapidamente nesses casos, podendo facilmente levar à morte da planta. Assim, é importante que se dê prefer/ência a plantas que suportam melhor a falta de água. Breve teremos um post que trate especificamente das técnicas de enraizamento na rocha.

Bordo em estilo Korabuki

 

KORABUKI: Estilo tartaruga. Aqui ocorre uma fusão da massa radicular na base do tronco, gerando uma estrutura convexa semelhante a um casco de tartaruga. Não é um estilo muito comum de encontrar-se na natureza, e também bastante difícil de se obter no cultivo em vasos. Opte por bandejas baixas, redondas ou ovais, para destacar a forma do nebari.

Polvo

 

 

TAKOZUKURI: Polvo. Neste estilo, a forma e a disposição dos galhos faz lembrar os tentáculos de um polvo. Deve apresentar, idealmente, oito ramificações primárias, já que é esse o número de tentáculos do polvo.

 

 

Sabamiki: tronco partido ao meio.

 

SABAMIKI: Tronco rachado. Lembra uma árvore que tenha se partido em uma tempestade, ao ser fustigada pelos ventos ou atingida por um raio. O tronco deve ser partido no meio, em seu cerne, e devem haver galhos com folhas (ou seja, madeira viva) em ambos os lados. Existe a necessidade de se tratar a madeira rachada com soda sulfocáustica, para evitar que apodreça. Não é um estilo recomendado para iniciantes, já que o processo de rachar o tronco é delicado, podendo-se facilmente estragar o exemplar. È importante que se opte sempre por árvores de lenho duro, como juníperos, pinheiros, ciprestes, primavera, ptecolobium, etc. Figueiras e áceres não são boas opções para trabalhos com madeira exposta, pois seu lenho apodrece com muita facilidade.

 

Bem, estamos quase terminando. Faltam apenas os estilos em que ocorre mais de um tronco ou árvore no mesmo vaso, mas estes ficam para a parte IV.

Abraços e muita Luz a todos.

 

REFERÊNCIAS:
Cultivando Bonsai no Brasil – Fábio Antakly Noronha
Bonsai – Ed. Especial da revista Casa e Jardim – n° 9
Revista O Universo do Bonsai – ano 2, n° 11
Bonsai: Arte Vivente – Juán Carlos de la Concha Macías


Ações

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One response

19 02 2016
Augusto Duarte

Estou cometendo dois erros primários, estou cultivando um ácer tridente na região norte do Brasil e com um grande trabalho em madeira morta, ele ainda não morreu ou apodreceu a madeira, vou enviar uma foto por email.

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