Bordos

23 05 2011

 Saudações! Hoje vamos falar sobre uma espécie dentre as mais difundidas em todo o mundo para a prática do bonsai: os bordos, também conhecidos como áceres (Acer spp).

Acer palmatum

 

O ácer é um gênero muito amplo, composto de uma grande variedade de espécies decíduas, cuja coloração das folhas varia constantemente desde a primavera até o outono, passando por diversas tonalidades de verde, dourado e vermelho. Dentre as variedades mais usadas para bonsai podemos destacar o bordo-tridente (A. buergerianum), conhecido no Japão como Kaede; as variedades de A. palmatum, como o “Momjii”, “Deshojo”, “Seigen” e atropurpureum; e também o A. japonicum. Típico de climas frios, mas bastante adaptado ao clima brasileiro, o ácer é uma planta robusta, resistente às podas e transplantes. No entanto, quando bonsai, deve ser protegido do sol forte, pois suas folhas queimam com facilidade.

Há quatro maneiras de se fazer a propagação do ácer: a semeadura, a estaquia, a enxertia e a alporquia. A semeadura é uma técnica pouco compensadora, pois as sementes costumam ser pouco férteis, e ainda necessitam de procedimentos para quebrar a dormência (fervura ou certo período em geladeira). A estaquia é mais produtiva, mas não funciona com todas as espécies. Corta-se um galho semilenhoso de aproximadamente 15 cm, preservando neste algumas folhas; então, com uma leve inclinação, enterra-se um terço deste em um substrato bastante úmido. O ideal é plantar várias estacas por vez, visto que nem todas enraízam. A amostra deve ser mantida ao abrigo do sol por cerca de sessenta dias, quando começam a aparecer os primeiros brotos. Se o galho secar, é sinal de que aquela estaca não enraizou. A enxertia é uma forma interessante de se obter mudas de espécies de bordo que não se propagam por estaquia. Normalmente usa-se uma muda jovem de Acer palmatum como “cavalo”. A alporquia também é uma técnica válida nesses casos, pois possibilita o enraizamento de qualquer das espécies de bordo. Teremos postagens específicas explicando cada uma dessas técnicas, mais adiante.

Bordo Tridente de 130 anos

 

A melhor maneira de se obter um bonsai de ácer em um espaço de tempo relativamente curto é plantar a muda no chão ou em um vaso muito grande, e deixá-la crescer livremente por dois a quatro anos, fazendo apenas podas leves e preservando a ponteira de crescimento. Nesse período, desde que bem adubada e recebendo a quantidade certa de sol e água, a planta irá engrossar o tronco e desenvolver o nebari (área de junção das raízes com o solo). Então, quando atingida a espessura de tronco desejada, poderá ser transplantada para um vaso menor, recebendo uma poda de até dois terços da massa radicular, e uma poda drástica na parte aérea.

Para a poda aérea, o ideal é desfolhar a planta antes. A propósito, como todo o bonsai de folhagem caduca, o bordo pode passar por duas desfolhas ao ano, desde que saudável. A desfolha invernal ocorre naturalmente nas regiões frias; nas mais quentes, deve ser realizada manualmente. A segunda desfolha, feita no meio do verão, tem por objetivo reduzir o tamanho das folhas, e só deve ser realizada em bonsai formados e perfeitamente saudáveis. Se o objetivo principal for o adensamento da ramificação, através da obtenção de entrenós mais curtos, a melhor opção é pinçar apenas os brotos apicais dos ramos. É importante ressaltar que as variedades atropurpureum não devem ser desfolhadas, pois isso pode causar a perda de galhos.

Por questões de lógica, a aramação deve ser feita no outono, após a desfolha, evitando-se assim ferir as gemas e brotos. Atenção: a casca do ácer é frágil, portanto deve-se tomar cuidado para não apertar o arame. Podemos minimizar os riscos de dano envolvendo o arame com papel ou fita crepe.

O transplante deve ser feito no início da primavera, quando as gemas começam a inchar, prenunciando o surgimento de novos brotos. Não é necessário transplantar em intervalos menores que dois anos. Trabalhos com madeira exposta devem ser evitados, pois a madeira dos bordos não é lenhosa o suficiente, podendo apodrecer com facilidade. Da primavera até o final do verão, as plantas em crescimento devem ser adubadas com NPK 20-10-10, e as já formadas, com NPK 10-10-10.

Acer formosanum (Miyasama Kaede)

Por tratar-se de uma planta imponente e que transmite sensação de força, geralmente os bonsai de ácer são formados nos estilos Moyogi, Shakan, Chokkan, Árvores em Grupo e Múltiplos Troncos. Também apresentam um ótimo resultado associados a pedras, nos estilos Ishitsuki ou Sekijoju. Formas mais “leves”, como Bujingii ou Fukinagashi, geralmente não proporcionam bons resultados. Os melhores recipientes para árvores decíduas são aqueles com bordas arredondadas, ovais ou redondos. Se a planta tiver um tronco excepcionalmente poderoso, vasos com adornos laterais, como linhas ou pontos, são uma boa pedida. Tons de azul escuro, vermelho escuro e cores terrosas contrastam bem com a folhagem dos bordos.

Este é um resumo das principais informações que pude reunir sobre o Ácer. Se o leitor tiver dúvidas ou algo a acrescentar, por favor, não deixe de registrar seu comentário.

Abraços a todos e uma ótima semana.

Lucas – Bonsai Brasil

Bordo japonês em sua mais bela coloração outonal.

BIBLIOGRAFIA

– Revista “O Universo do Bonsai”, ano 8, n° 13;

– Bonsai – Guia prático. Rebecca Kingsley;

– Revista “O Mundo do Bonsai”, Edição Especial, ano 1, n° 1.


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