Sashi-eda

2 05 2011

Olá, pessoal! Hoje vamos falar um pouco sobre a estética do bonsai. De modo genérico, os elementos mais importantes para a composição harmônica da árvore são a base do tronco (nebari), o primeiro galho (Sashi-eda), a profundidade (determinada pelos ramos posteriores) e a copa. Neste post, trataremos do primeiro galho.

Seringueira

Quando observamos uma árvore na natureza, é fácil perceber que há um engrossamento progressivo dos galhos mais baixos em relação aos mais altos. Isto deve-se ao fato de os galhos mais baixos serem mais velhos, além de a parte mais baixa da árvore ter de suportar mais peso. Geralmente, os galhos mais baixos são longos, vigorosos, apresentam mais ramificações e, por conta de todos esses fatores, tendem a ser mais horizontais.

Como sempre, na arte do bonsai, nosso objetivo principal é obter o resultado mais natural possível, fazendo com que a planta transmita ao observador a impressão de ser uma árvore grande, austera, centenária. Para conseguirmos essa perspectiva, um dos elementos mais importantes é o primeiro galho, chamado de sashi-eda pela escola linear (escola de bonsai que prioriza as linhas – falaremos dela mais adiante).

Nunca devemos esquecer que toda regra tem sua exceção, mas alguns princípios básicos para se obter um bonsai de boas proporções são:

– Deixar o primeiro 1/3 da árvore livre de galhos e folhas;

– A copa da árvore deve ocupar os 2/3 superiores da planta;

– A primeira ramificação da árvore deve ser lateral, nunca frontal ou traseira;

– A copa deve apresentar um formato triangular, sendo mais larga na base e mais estreita no ápice;

– A frenta da copa deve ser menos provida de folhas, especialmente nas partes mais baixas, deixando à mostra os primeiros galhos.

Pinheiro com uma bela configuração de galhos

Se observarmos atentamente estes princípios, perceberemos que todos eles têm, direta ou indiretamente, relação com Sashi-eda. A partir daí, temos uma idéia da impotância desse galho na composição da planta. Falando específicamente dele, tomando-se por base as diretrizes supracitadas, podemos entender que trata-se do galho mais longo e mais grosso da ávore, sempre de orientação lateral, e que marca o início da copa; ou seja, é um elemento que aparece em evidência.

Sashi-eda deve ser um galho vigoroso e bem ramificado. O ideal é que se subdivida várias vezes, formando uma série de galhos secundários, e apresentando um progressivo afilamento de sua base até sua extremidade, (exatamente como o tronco), sendo que esta última marca o ponto mais largo da árvore, a “base” da copa. Por todas estas características, via de regra, deve ser um galho de inclinação horizontal – na natureza, um ramo tão vigoroso normalmente verga sob o próprio peso.

Se observarmos uma muda ou árvore jovem, veremos que seus galhos são, em sua maioria, oblíquos para cima, pois ainda são leves e crescem livres em direção ao sol, com seu caminho desobstruído pela copa que ainda não se formou. Assim, se o primeiro galho de um bonsai tiver uma inclinação para cima, isso causará a impressão de uma árvore jovem, e não da austeridade e sobriedade de uma árvore cujo crescimento já se arrasta longamente pelos anos. Da mesma forma, se o primeiro galho for muito curto, isso causará uma sensação de deformação, além de afetar diretamente a triangulação da copa – afinal, trata-se do galho mais antigo da árvore, por isso deve ser o mais longo e mais grosso.

A melhor maneira de se obter o engrossamento do primeiro galho é podar o restante da árvore e deixá-lo crescer livre, até mais do que deveria. Outra técnica interessante para fortalecer ou ramificar um galho é desfolhar toda a árvore e deixá-lo intocado. Cuidado, pois algumas plantas não toleram desfolhamentos severos.

O 1° galho é a "cascata"

Em se tratando dos estilos Kengai (cascata) e Han-kengai (semi-cascata), Sashi-eda corresponde justamente ao galho em “queda”, sendo que o restante da árvore desenvolve-se verticalmente, com os demais ramos pequenos, multidirecionais, completando a triangulação da massa foliar.

Quando estivermos lidando com estilos com múltiplos troncos, como Sokan, Sankan ou Kabudachi, o primeiro galho deve partir do tronco mais grosso do conjunto (em função das regras “naturais” mencionadas anteriormente), a não ser que este se situe atrás dos demais; nesse caso, a ramificação deve partir preferencialmente de um tronco lateral, de forma a receber maior destaque visual.

Por fim, devemos destacar que estas regras são diretrizes para auxiliar os praticantes de bonsai na busca por plantas mais belas. Jamais devem ser tomadas como absolutos, pois cada planta tem características próprias, que devem ser respeitadas durante o processo de desenvolvimento do bonsai. Peço desculpas se isso soar um pouco piegas, mas a verdade é que o melhor mestre é o coração, e o melhor manual de instruções é o bom senso.

Agradeço a todos que vêm nos acompanhando. No próximo post: Ácer!

Abraços sinceros e uma ótima semana!

Referências:

– Bonsai: Arte Vivente – Juan Carlos de la Concha Macías

– Cultivando Bonsai no Brasil – Fábio Antakly de Noronha


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