A poda é uma atividade fundamental no cultivo de Bonsai. Através dela, definimos a forma e o estilo da planta, mantemos seu tamanho, estimulamos sua ramificação e conservamos sua boa saúde. Apesar de relativamente banal na jardinagem, a poda requer conhecimento, técnica e uma certa dose de senso estético quando se trata de Bonsai. Aqui trataremos, em um primeiro momento, dos diversos tipos de poda e como aplicá-los.
Primeiramente, temos a poda radical. Como diz o próprio nome, trata-se de um procedimento altamente estressante para a planta, e deve ser realizado com muito critério, conhecendo bem as características da espécie a ser trabalhada. É uma técnica a ser empregada apenas no período de formação da árvore ou em grandes reestilizações.
Nas plantas em formação, em um primeiro momento, é necessário permitir o livre crescimento da copa e do sistema radicular, para possibilitar o engrossamento do tronco. No momento em que este tenha atingido o diâmetro ideal, é hora de reduzir a planta através de uma poda radical, para então iniciar o desenvolvimento dos galhos primários. Nas plantas que tenham facilidade para brotar a partir do tronco – fator este que varia conforme a espécie, idade e vigor do espécime – , pode-se cortar a até dez centímetros de distância do chão, deixando apenas um toco que, posteriormente, soltará brotações em todas as direções. A partir destas, define-se o(s) primeiro(s) galhos e a continuação da copa.
Entretanto, certas plantas só conseguem brotar a partir do tecido meristemático existente nas gemas superiores, e morrerão se submetidas a um procedimento tão radical. Neste caso, a planta deverá possuir ramificações mais baixas, que serão preservadas quando da realização da poda drástica. Se estas não existirem, o exemplar deverá ter enxertada, cicatrizada e desenvolvida pelo menos uma ramificação abaixo do nível da poda, antes que esta ocorra.
No que diz respeito à reestilização de Bonsai já formados, a poda radical consiste em remover todas as ramificações secundárias, poupando apenas os galhos primários que se adequem ao novo formato escolhido. Novamente isto apenas será possível se realizado em plantas capazes de emitir brotação abundante a partir do cambium. Em certas espécies menos tolerantes às podas, o procedimento pode provocar desde a perda de galhos importantes até a morte da planta.
O segundo tipo de poda a que podemos referir é a poda de refinamento. Esta é realizada tanto em plantas a meio caminho da formação quanto periodicamente em Bonsai já formados. Consiste na retirada de galhos esteticamente prejudiciais e redução do “vigor” dos ramos, deixando a copa mais leve e arejada. Também serve para manter o tamanho da árvore já formada.
Inicialmente, faz-se uma redução geral do tamanho da copa, podando as extremidades de todos os galhos, deixando-se de dois a quatro pares de folhas. Isto favorece a ramificação, ajuda a reduzir o tamanho das folhas e o espaço dos entrenós, adensando a massa foliar e melhorando a proporção entre zona apical e tronco. Após, realiza-se uma limpeza geral nos ramos, removendo aqueles que tenham nascido nas “axilas “ da planta e reuzindo locais onde haja ramificação excessiva (ex: se três ramos saem de um mesmo ponto, remova o do meio, aumentando o espaço entre os restantes). Este procedimento deve ser realizado pelo menos duas vezes ao ano, preferencialmente no início da primavera e no meio do verão.
Por fim, temos o pinçado. Esta é a poda mais leve, que tem por objetivo apenas controlar o crescimento do exemplar. Geralmente é realizado apenas em plantas já formadas, uma vez que reduz consideravelmente a taxa de crescimento. Esta técnica consiste na retirada dos brotos apicais de todas as ramificações da planta. Pode ser realizada com as pontas dos dedos ou com uma tesoura de poda pequena, sempre com muito cuidado para não se machucarem as gemas subjacentes.
O pinçado pode ser realizado em qualquer época do ano, mas geralmente é mais necessário quando a planta eetá em pleno crescimento, ou seja, do início da primavera até o final do verão. Quando, na planta, há um ramo que pretendemos que desenvolva-se mais do que os outros, podemos pinçar toda a planta, exceto o ramo em questão; isso porque o crescimento tende a intensificar-se nas zonas em que as gemas apicais são preservadas.
Bem, acredito que hoje conseguimos jogar um pouco de luz sobre a temática das podas. Teremos em breve um artigo complementar sobre crescimento vegetativo, que facilitará a compreensão do assunto aqui abordado.
Abraços a todos e uma ótima semana!
Muita Luz!
Lucas
REFERÊNCIAS:
- Cultivando Bonsai no Brasil – Fábio Antakly Noronha
- Atelier do Bonsai – Mário A. G. Leal (www.atelierdobonsai.com.br)
- Revista O Universo do Bonsai – ano 2, n° 11
- Bonsai: Arte Vivente – Juán Carlos de la Concha Macías























