Podas

13 03 2012

Cotoneaster

A poda é uma atividade fundamental no cultivo de Bonsai. Através dela, definimos a forma e o estilo da planta, mantemos seu tamanho, estimulamos sua ramificação e conservamos sua boa saúde.  Apesar de relativamente banal na jardinagem, a poda requer conhecimento, técnica e uma certa dose de senso estético quando se trata de Bonsai.  Aqui trataremos, em um primeiro momento, dos diversos tipos de poda e como aplicá-los.

Primeiramente, temos a poda radical. Como diz o próprio nome, trata-se de um procedimento altamente estressante para a planta, e deve ser realizado com muito critério, conhecendo bem as características da espécie a ser trabalhada. É uma técnica a ser empregada apenas no período de formação da árvore ou em grandes reestilizações.

Lantana em plena floração.

Nas plantas em formação, em um primeiro momento, é necessário permitir o livre crescimento da copa e do sistema radicular, para possibilitar o engrossamento do tronco.  No momento em que este tenha atingido o diâmetro ideal, é hora de reduzir a planta através de uma poda radical, para então iniciar o desenvolvimento dos galhos primários. Nas plantas que tenham facilidade para brotar a partir do tronco – fator este que varia conforme a espécie, idade e vigor do espécime  – ,  pode-se cortar a até dez centímetros de distância do chão, deixando apenas um toco que, posteriormente, soltará brotações em todas as direções. A partir destas, define-se o(s) primeiro(s) galhos e a continuação da copa.

Entretanto, certas plantas só conseguem brotar a partir do tecido meristemático existente nas gemas superiores, e morrerão se submetidas a um procedimento tão radical. Neste caso, a planta deverá possuir ramificações mais baixas, que serão preservadas quando da realização da poda drástica. Se estas não existirem, o exemplar deverá ter enxertada, cicatrizada e desenvolvida pelo menos uma ramificação abaixo do nível da poda, antes que esta ocorra.

Juniperus prostrata

No que diz respeito à reestilização de Bonsai já formados, a poda radical consiste em remover todas as ramificações secundárias, poupando apenas os galhos primários que se adequem ao novo formato escolhido. Novamente isto apenas será possível se realizado em plantas capazes de emitir brotação abundante a partir do cambium. Em certas espécies menos tolerantes às podas, o procedimento pode provocar desde a perda de  galhos importantes até a morte da planta.

O segundo tipo de poda a que podemos referir é a poda de refinamento. Esta é realizada tanto em plantas a meio caminho da formação quanto periodicamente em Bonsai já formados. Consiste na retirada de galhos esteticamente prejudiciais e redução do “vigor” dos ramos, deixando a copa mais leve e arejada. Também serve para manter o tamanho da árvore já formada.

Inicialmente, faz-se uma redução geral do tamanho da copa, podando as extremidades de todos os galhos, deixando-se de dois a quatro pares de folhas. Isto favorece a ramificação, ajuda a reduzir o tamanho das folhas e o espaço dos entrenós, adensando a massa foliar e melhorando a proporção entre zona apical e tronco. Após, realiza-se uma limpeza geral nos ramos, removendo aqueles que tenham nascido nas “axilas “ da planta e reuzindo locais onde haja ramificação excessiva (ex: se três ramos saem de um mesmo ponto, remova o do meio, aumentando o espaço entre os restantes). Este procedimento deve ser realizado pelo menos duas vezes ao ano, preferencialmente no início da primavera e no meio do verão.

Ficus retusa

Por fim, temos o pinçado. Esta é a poda mais leve, que tem por objetivo apenas controlar o crescimento do exemplar. Geralmente é realizado apenas em plantas já formadas, uma vez que reduz consideravelmente a taxa de crescimento. Esta técnica consiste na retirada dos brotos apicais de todas as ramificações da planta. Pode ser realizada com as pontas dos dedos ou com uma tesoura de poda pequena, sempre com muito cuidado para não se machucarem as gemas subjacentes.

O pinçado pode ser realizado em qualquer época do ano, mas geralmente é mais necessário quando a planta eetá em pleno crescimento, ou seja, do início da primavera até o final do verão.  Quando, na planta, há um ramo que pretendemos que desenvolva-se mais do que os outros, podemos pinçar toda a planta, exceto o ramo em questão; isso porque o crescimento tende a intensificar-se nas zonas em que as gemas apicais são preservadas.

Bem, acredito que hoje conseguimos jogar um pouco de luz sobre a temática das podas. Teremos em breve um artigo complementar sobre crescimento vegetativo, que facilitará a compreensão do assunto aqui abordado.

Neea buxifolia

Abraços a todos e uma ótima semana!
Muita Luz!

Lucas

REFERÊNCIAS:

- Cultivando Bonsai no Brasil – Fábio Antakly Noronha

- Atelier do Bonsai – Mário A. G. Leal (www.atelierdobonsai.com.br)

- Revista O Universo do Bonsai – ano 2, n° 11

- Bonsai: Arte Vivente – Juán Carlos de la Concha Macías





Os números de 2011

2 03 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 2.300 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 38 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo





Estilos de Bonsai – Parte III

1 03 2012

Hoje apresentarei outros seis estilos para se trabalhar árvores em miniatura:

Raízes Expostas

NEAGARI: Raízes Expostas. Neste estilo, parte das raízes aparece, elevando a base do tronco acima do solo. Vale ressaltar que a maioria dos Bonsai tem algumas raízes aparecendo sutilmente acima do solo, e esta característica é importante para conferir à árvore uma aparência de idade avançada. No estilo Neagari, no entanto, as raízes são bastante visíveis, projetando-se muito acima do solo. São plantas que parecem ter sido parcialmente arrancadas por um vendaval, ou que tenham crescido em solo sujeito à erosão, como nas margens dos rios. Essa impressão geralmente é reforçada por alguma inclinação no tronco (combinação do estilo com Shakan, Fukinagashi e Han-kengai). Vasos de perfil baixo são a melhor opção, já que valorizam a presença das raízes.

Ptecolobium enraizado na rocha

 

SEKIJOJU: Estilo raízes sobre rocha. Esta será uma árvore que cresceu agarrada a uma pedra, e suas raízes desceram por esta para encontrar o solo. O tronco deve ter movimento, já que um tronco vertical definitivamente não combina com uma planta que tenha crescido em condições tão hostis. Na natureza, esse tipo de situação é mais comum em regiões montanhosas, onde rochas expostas são abundantes; portanto, é interessante que a terra no vaso forme uma pequena colina ao redor da pedra. Recomenda-se para esse estilo o uso de vasos mais profundos, já que a rocha deve ficar parcialmente enterrada para que não caia do vaso. Obs.: alguns bonsaístas optam por prender a pedra ao fundo do vaso com o uso de massa epóxi. Nesse caso, é necessário ter cuidado para não se obstruir os furos de drenagem.

 

Árvores na rocha

 

ISHITSUKI: Árvore na rocha. Diferentemente do Sekijoju, neste estilo a árvore está plantada sobre a rocha, sem que suas raízes cheguem até a terra no vaso. Via de regra, utiliza-se um buraco feito na própria rocha, onde se coloca o mínimo de terra que a planta necessita para sobrreviver. Trata-se de um estilo bastante difícil de se obter e manter, pois o ressecamento do substrato ocorre muito rapidamente nesses casos, podendo facilmente levar à morte da planta. Assim, é importante que se dê prefer/ência a plantas que suportam melhor a falta de água. Breve teremos um post que trate especificamente das técnicas de enraizamento na rocha.

Bordo em estilo Korabuki

 

KORABUKI: Estilo tartaruga. Aqui ocorre uma fusão da massa radicular na base do tronco, gerando uma estrutura convexa semelhante a um casco de tartaruga. Não é um estilo muito comum de encontrar-se na natureza, e também bastante difícil de se obter no cultivo em vasos. Opte por bandejas baixas, redondas ou ovais, para destacar a forma do nebari.

Polvo

 

 

TAKOZUKURI: Polvo. Neste estilo, a forma e a disposição dos galhos faz lembrar os tentáculos de um polvo. Deve apresentar, idealmente, oito ramificações primárias, já que é esse o número de tentáculos do polvo.

 

 

Sabamiki: tronco partido ao meio.

 

SABAMIKI: Tronco rachado. Lembra uma árvore que tenha se partido em uma tempestade, ao ser fustigada pelos ventos ou atingida por um raio. O tronco deve ser partido no meio, em seu cerne, e devem haver galhos com folhas (ou seja, madeira viva) em ambos os lados. Existe a necessidade de se tratar a madeira rachada com soda sulfocáustica, para evitar que apodreça. Não é um estilo recomendado para iniciantes, já que o processo de rachar o tronco é delicado, podendo-se facilmente estragar o exemplar. È importante que se opte sempre por árvores de lenho duro, como juníperos, pinheiros, ciprestes, primavera, ptecolobium, etc. Figueiras e áceres não são boas opções para trabalhos com madeira exposta, pois seu lenho apodrece com muita facilidade.

 

Bem, estamos quase terminando. Faltam apenas os estilos em que ocorre mais de um tronco ou árvore no mesmo vaso, mas estes ficam para a parte IV.

Abraços e muita Luz a todos.

 

REFERÊNCIAS:
Cultivando Bonsai no Brasil – Fábio Antakly Noronha
Bonsai – Ed. Especial da revista Casa e Jardim – n° 9
Revista O Universo do Bonsai – ano 2, n° 11
Bonsai: Arte Vivente – Juán Carlos de la Concha Macías





Bordos

23 05 2011

 Saudações! Hoje vamos falar sobre uma espécie dentre as mais difundidas em todo o mundo para a prática do bonsai: os bordos, também conhecidos como áceres (Acer spp).

Acer palmatum

 

O ácer é um gênero muito amplo, composto de uma grande variedade de espécies decíduas, cuja coloração das folhas varia constantemente desde a primavera até o outono, passando por diversas tonalidades de verde, dourado e vermelho. Dentre as variedades mais usadas para bonsai podemos destacar o bordo-tridente (A. buergerianum), conhecido no Japão como Kaede; as variedades de A. palmatum, como o “Momjii”, “Deshojo”, “Seigen” e atropurpureum; e também o A. japonicum. Típico de climas frios, mas bastante adaptado ao clima brasileiro, o ácer é uma planta robusta, resistente às podas e transplantes. No entanto, quando bonsai, deve ser protegido do sol forte, pois suas folhas queimam com facilidade.

Há quatro maneiras de se fazer a propagação do ácer: a semeadura, a estaquia, a enxertia e a alporquia. A semeadura é uma técnica pouco compensadora, pois as sementes costumam ser pouco férteis, e ainda necessitam de procedimentos para quebrar a dormência (fervura ou certo período em geladeira). A estaquia é mais produtiva, mas não funciona com todas as espécies. Corta-se um galho semilenhoso de aproximadamente 15 cm, preservando neste algumas folhas; então, com uma leve inclinação, enterra-se um terço deste em um substrato bastante úmido. O ideal é plantar várias estacas por vez, visto que nem todas enraízam. A amostra deve ser mantida ao abrigo do sol por cerca de sessenta dias, quando começam a aparecer os primeiros brotos. Se o galho secar, é sinal de que aquela estaca não enraizou. A enxertia é uma forma interessante de se obter mudas de espécies de bordo que não se propagam por estaquia. Normalmente usa-se uma muda jovem de Acer palmatum como “cavalo”. A alporquia também é uma técnica válida nesses casos, pois possibilita o enraizamento de qualquer das espécies de bordo. Teremos postagens específicas explicando cada uma dessas técnicas, mais adiante.

Bordo Tridente de 130 anos

 

A melhor maneira de se obter um bonsai de ácer em um espaço de tempo relativamente curto é plantar a muda no chão ou em um vaso muito grande, e deixá-la crescer livremente por dois a quatro anos, fazendo apenas podas leves e preservando a ponteira de crescimento. Nesse período, desde que bem adubada e recebendo a quantidade certa de sol e água, a planta irá engrossar o tronco e desenvolver o nebari (área de junção das raízes com o solo). Então, quando atingida a espessura de tronco desejada, poderá ser transplantada para um vaso menor, recebendo uma poda de até dois terços da massa radicular, e uma poda drástica na parte aérea.

Para a poda aérea, o ideal é desfolhar a planta antes. A propósito, como todo o bonsai de folhagem caduca, o bordo pode passar por duas desfolhas ao ano, desde que saudável. A desfolha invernal ocorre naturalmente nas regiões frias; nas mais quentes, deve ser realizada manualmente. A segunda desfolha, feita no meio do verão, tem por objetivo reduzir o tamanho das folhas, e só deve ser realizada em bonsai formados e perfeitamente saudáveis. Se o objetivo principal for o adensamento da ramificação, através da obtenção de entrenós mais curtos, a melhor opção é pinçar apenas os brotos apicais dos ramos. É importante ressaltar que as variedades atropurpureum não devem ser desfolhadas, pois isso pode causar a perda de galhos.

Por questões de lógica, a aramação deve ser feita no outono, após a desfolha, evitando-se assim ferir as gemas e brotos. Atenção: a casca do ácer é frágil, portanto deve-se tomar cuidado para não apertar o arame. Podemos minimizar os riscos de dano envolvendo o arame com papel ou fita crepe.

O transplante deve ser feito no início da primavera, quando as gemas começam a inchar, prenunciando o surgimento de novos brotos. Não é necessário transplantar em intervalos menores que dois anos. Trabalhos com madeira exposta devem ser evitados, pois a madeira dos bordos não é lenhosa o suficiente, podendo apodrecer com facilidade. Da primavera até o final do verão, as plantas em crescimento devem ser adubadas com NPK 20-10-10, e as já formadas, com NPK 10-10-10.

Acer formosanum (Miyasama Kaede)

Por tratar-se de uma planta imponente e que transmite sensação de força, geralmente os bonsai de ácer são formados nos estilos Moyogi, Shakan, Chokkan, Árvores em Grupo e Múltiplos Troncos. Também apresentam um ótimo resultado associados a pedras, nos estilos Ishitsuki ou Sekijoju. Formas mais “leves”, como Bujingii ou Fukinagashi, geralmente não proporcionam bons resultados. Os melhores recipientes para árvores decíduas são aqueles com bordas arredondadas, ovais ou redondos. Se a planta tiver um tronco excepcionalmente poderoso, vasos com adornos laterais, como linhas ou pontos, são uma boa pedida. Tons de azul escuro, vermelho escuro e cores terrosas contrastam bem com a folhagem dos bordos.

Este é um resumo das principais informações que pude reunir sobre o Ácer. Se o leitor tiver dúvidas ou algo a acrescentar, por favor, não deixe de registrar seu comentário.

Abraços a todos e uma ótima semana.

Lucas – Bonsai Brasil

Bordo japonês em sua mais bela coloração outonal.

BIBLIOGRAFIA

- Revista “O Universo do Bonsai”, ano 8, n° 13;

- Bonsai – Guia prático. Rebecca Kingsley;

- Revista “O Mundo do Bonsai”, Edição Especial, ano 1, n° 1.





Sashi-eda

2 05 2011

Olá, pessoal! Hoje vamos falar um pouco sobre a estética do bonsai. De modo genérico, os elementos mais importantes para a composição harmônica da árvore são a base do tronco (nebari), o primeiro galho (Sashi-eda), a profundidade (determinada pelos ramos posteriores) e a copa. Neste post, trataremos do primeiro galho.

Seringueira

Quando observamos uma árvore na natureza, é fácil perceber que há um engrossamento progressivo dos galhos mais baixos em relação aos mais altos. Isto deve-se ao fato de os galhos mais baixos serem mais velhos, além de a parte mais baixa da árvore ter de suportar mais peso. Geralmente, os galhos mais baixos são longos, vigorosos, apresentam mais ramificações e, por conta de todos esses fatores, tendem a ser mais horizontais.

Como sempre, na arte do bonsai, nosso objetivo principal é obter o resultado mais natural possível, fazendo com que a planta transmita ao observador a impressão de ser uma árvore grande, austera, centenária. Para conseguirmos essa perspectiva, um dos elementos mais importantes é o primeiro galho, chamado de sashi-eda pela escola linear (escola de bonsai que prioriza as linhas – falaremos dela mais adiante).

Nunca devemos esquecer que toda regra tem sua exceção, mas alguns princípios básicos para se obter um bonsai de boas proporções são:

- Deixar o primeiro 1/3 da árvore livre de galhos e folhas;

- A copa da árvore deve ocupar os 2/3 superiores da planta;

- A primeira ramificação da árvore deve ser lateral, nunca frontal ou traseira;

- A copa deve apresentar um formato triangular, sendo mais larga na base e mais estreita no ápice;

- A frenta da copa deve ser menos provida de folhas, especialmente nas partes mais baixas, deixando à mostra os primeiros galhos.

Pinheiro com uma bela configuração de galhos

Se observarmos atentamente estes princípios, perceberemos que todos eles têm, direta ou indiretamente, relação com Sashi-eda. A partir daí, temos uma idéia da impotância desse galho na composição da planta. Falando específicamente dele, tomando-se por base as diretrizes supracitadas, podemos entender que trata-se do galho mais longo e mais grosso da ávore, sempre de orientação lateral, e que marca o início da copa; ou seja, é um elemento que aparece em evidência.

Sashi-eda deve ser um galho vigoroso e bem ramificado. O ideal é que se subdivida várias vezes, formando uma série de galhos secundários, e apresentando um progressivo afilamento de sua base até sua extremidade, (exatamente como o tronco), sendo que esta última marca o ponto mais largo da árvore, a “base” da copa. Por todas estas características, via de regra, deve ser um galho de inclinação horizontal – na natureza, um ramo tão vigoroso normalmente verga sob o próprio peso.

Se observarmos uma muda ou árvore jovem, veremos que seus galhos são, em sua maioria, oblíquos para cima, pois ainda são leves e crescem livres em direção ao sol, com seu caminho desobstruído pela copa que ainda não se formou. Assim, se o primeiro galho de um bonsai tiver uma inclinação para cima, isso causará a impressão de uma árvore jovem, e não da austeridade e sobriedade de uma árvore cujo crescimento já se arrasta longamente pelos anos. Da mesma forma, se o primeiro galho for muito curto, isso causará uma sensação de deformação, além de afetar diretamente a triangulação da copa – afinal, trata-se do galho mais antigo da árvore, por isso deve ser o mais longo e mais grosso.

A melhor maneira de se obter o engrossamento do primeiro galho é podar o restante da árvore e deixá-lo crescer livre, até mais do que deveria. Outra técnica interessante para fortalecer ou ramificar um galho é desfolhar toda a árvore e deixá-lo intocado. Cuidado, pois algumas plantas não toleram desfolhamentos severos.

O 1° galho é a "cascata"

Em se tratando dos estilos Kengai (cascata) e Han-kengai (semi-cascata), Sashi-eda corresponde justamente ao galho em “queda”, sendo que o restante da árvore desenvolve-se verticalmente, com os demais ramos pequenos, multidirecionais, completando a triangulação da massa foliar.

Quando estivermos lidando com estilos com múltiplos troncos, como Sokan, Sankan ou Kabudachi, o primeiro galho deve partir do tronco mais grosso do conjunto (em função das regras “naturais” mencionadas anteriormente), a não ser que este se situe atrás dos demais; nesse caso, a ramificação deve partir preferencialmente de um tronco lateral, de forma a receber maior destaque visual.

Por fim, devemos destacar que estas regras são diretrizes para auxiliar os praticantes de bonsai na busca por plantas mais belas. Jamais devem ser tomadas como absolutos, pois cada planta tem características próprias, que devem ser respeitadas durante o processo de desenvolvimento do bonsai. Peço desculpas se isso soar um pouco piegas, mas a verdade é que o melhor mestre é o coração, e o melhor manual de instruções é o bom senso.

Agradeço a todos que vêm nos acompanhando. No próximo post: Ácer!

Abraços sinceros e uma ótima semana!

Referências:

- Bonsai: Arte Vivente – Juan Carlos de la Concha Macías

- Cultivando Bonsai no Brasil – Fábio Antakly de Noronha





Estilos de Bonsai – Parte II

13 02 2011

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ESTILOS DE BONSAI – PARTE I

13 03 2010

        Se observarmos as árvores na natureza, veremos que estas apresentam uma infinidade de formas: desde as raízes à copa, passando evidentemente pelo tronco, há sempre uma ou duas características que podem definir a forma geral do espécime. Com Bonsai não é diferente. Cada planta pode ser definida em um estilo, de acordo com as formas que apresentar. Existem cinco estilos fundamentais e, dentro destes, uma série de variações. É interessante ressaltar que, a despeito do definido em algumas literaturas de caráter menos técnico, não existe bonsai estilo “livre” – literati, como normalmente descrito. Os estilos cobrem todas as formas possíveis de se obter, portanto sempre será possível encaixar a planta em algum deles.

        OS CINCO PRINCIPAIS ESTILOS DE BONSAI:

Pinheiro Branco Japonês

CHOKKAN: Estilo Ereto Formal. Caracteriza-se por um tronco ereto, forte, com galhos espaçados e homogeneamente distribuídos. Normalmente, produz árvores mais altas do que largas. Sua estética é difícil de harmonizar, visto que as linhas são mais importantes que o volume nesse estilo; costuma harmonizar melhor com vasos retangulares, no caso de troncos mais grossos, ou bandejas ovaladas de perfil baixo para árvores menos robustas. Dentre as melhores espécies para produzir este estilo temos os pinheiros, áceres e olmos.

Olmo Chinês

MOYOGI: Estilo Ereto Informal. Estilo mais abrangente de todos, – a maioria das derivações provém do estilo Moyogi – caracteriza-se por um tronco com movimentos suaves, de crescimento vertical. Podem predominar tanto as linhas quanto os volumes, e a grande maioria das espécies adapta-se bem a esse estilo. Os vasos devem ser preferencialmente redondos ou ovais, mas também podem ser usados, de acordo com o resultado pretendido, vasos retangulares, hexagonais/octogonais de perfil baixo, etc.

Primavera

SHAKAN: Estilo Tronco Inclinado. Árvore de aparência robusta, com o tronco apresentando inclinação de até 45° para um dos lados, e copa homogeneamente distribuída. Como no caso do Moyogi, a grande maioria das plantas adapta-se bem a esse estilo; o critério de escolha das bandejas é o mesmo do estilo anterior.

Oliveira

KENGAI: Estilo Cascata. Imita uma árvore que tenha crescido à beira de um penhasco ou cânion, com seu galho principal estendendo-se obliquamente para baixo, devendo este ultrapassar o fundo do vaso. Geralmente apresenta um pequeno ápice de crescimento vertical, e costuma ser um estilo de volume, embora suas linhas não possam ser desprezadas. Os vasos para estas plantas devem ser mais altos do que largos, harmonizando-se a altura com a queda da planta. Algumas espécies, a exemplo dos bordos e figueiras, não se adaptam bem a esse estilo, pois podem simplesmente perder os galhos que se encontram abaixo do nível das raízes. Pinheiros, juníperos e piracantas costumam ser excelentes escolhas.

Pinheiro Silvestre

HAN-KENGAI: Estilo Semi-Cascata. De maneira semelhante ao estilo anterior, costuma apresentar um grande galho principal e uma pequena continuação vertical da copa; o que os diferencia é que, neste caso, o galho cresce em um sentido horizontal, com seu ápice passando um pouco abaixo da borda superior do vaso – que geralmente é quadrado ou hexagonal, evitando-se bandejas muito rasas. Não existem maiores restrições quanto a espécies.

REFERÊNCIAS:

Cultivando Bonsai no Brasil – Fábio Antakly Noronha

Bonsai – Ed. Especial da revista Casa e Jardim – n° 9

Revista O Universo do Bonsai – ano 2, n° 11 

Bonsai: Arte Vivente – Juán Carlos de la Concha Macías








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